relógio de flor

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Dor não tem medida

         
          Ontem, pela 2 vez, assisti a um Júri Popular.
          Confesso que mais de 12 horas depois de terminado, ainda me sinto devastada pela dor das mães que lá, pude vivenciar.
          Eu, que um dia, sonhei ser uma juíza, me tornei bacharel em direito, mas felizmente, meu coração fugiu de meus sonhos e foi parar nas salas de aula.
          Pouco tempo atrás, assistindo um filme: “Escritores da Liberdade”, tirei para minha vida, as palavras ditas pela atriz num determinado trecho. Mais ou menos assim:
          _”Que o sonho dela para lutar pelos jovens seria nos tablados entre os jurados mas depois ela tinha aprendido que o verdadeiro lugar seria nas salas de aula, fazendo diferença antes dos jovens entrarem na criminalidade.
          Simplesmente, foi isso que fiz,  a minha vida inteira, tentando fazer diferença na vida das crianças que passaram pela minha vida, durante este tempo.
          Ainda estou muito triste
          Tenho as mães entranhadas em mim. De um lado a que teve seu filho assassinado, do outro a que teve  seu filho condenado. Ambos tão jovens
          Sem falar das tantas mães da plateias que vivendo  a perda diária de seus filhos para as “drogas”. viam ali suas vidas refletidas.
          A mesma história, saída de bocas diferentes, com personagens diferentes.
          Entretanto, iguais no desespero, na dor, na impotência de cada uma delas, na batalha com o terrível inimigo.
          Alguns da plateia ainda ousando comparar uma com a outra.
          Só não aprenderam ainda que “Dor” não se mede, nem se compara, simplesmente é sentida
         Não existe comparações…uma é como se tivesse morrido… Outra é morta todos os dia, na espera, no medo, na angústia da espera do filho voltar para casa.
          Só se mede alguma coisa quando ela tem fim.
         Acho que “Amor de Mãe” pode  ser comparado ao Universo , que parece também não ter fim.…
          Não será este Amor o Próprio Universo?!
          Posso ter palavras, receitas, mudanças…Quando o meu filho não é vitima deste mal tão brutal…
         Posso recriminar, criticar, estabelecer limites…Quando não sou eu que viro madrugadas, na solidão, angustiada ,me perguntando: _"Por que “este menino” ainda não chegou?!….Onde estará?!…
          Posso apoiar, ser solidária, compreensiva…Quando minhas noites não são cheias de fantasmas dos companheiros de “meu filho” que vivem como ele o drama das “drogas”.
          Posso ser tudo isto e muito mais
          A única coisa que não posso é medir, comparar, estabelecer limites ou regras para a dor de qualquer uma destas infinitas mães…
          Para as mães que estiveram na plateia do Júri Popular, de ontemhumildemente só devo dizer que elevo minhas preces a Deus, pedindo que dê  paz nos seus corações e no de seus jovens filhos…
          O Amor de Deus é infinito, incompáravel…Além de nossas leis…da vida…também da morte…
          O único capaz de acolher, sem distinção, sem recriminação…
          O único que pode penetrar em cada alma….
          O único que fará diferença, com certeza, na vida destas Mulheres….

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